sábado, 14 de outubro de 2017

Saque seu PIS



Cerca de 15 milhões contribuíram para o PIS/Pasep por 20 anos; saiba como sacar
  • 13/10/2017 09h33
  • Brasília





Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
Criados em 1971, os fundos do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) funcionaram, por quase 20 anos, como uma poupança particular. A cada ano, o trabalhador tinha direito a receber o rendimento das cotas e podia sacar todo o crédito em caso de aposentadoria, doença grave ou ao completar 70anos.

Os fundos vigoraram até 4 de outubro de 1988. Com a promulgação da Constituição, a arrecadação do PIS/Pasep passou a ser destinada ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que paga o seguro-desemprego e o abono salarial, e para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que empresta a empresas do setor produtivo. O PIS é destinado aos trabalhadores da iniciativa privada. O Pasep, aos servidores públicos.

No entanto, falhas na comunicação entre o governo, as empresas e os trabalhadores fizeram muitos não sacarem as cotas dos fundos, mesmo cumprindo os requisitos para a retirada. No ano passado, uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que 15,5 milhões de brasileiros tinham abonos do PIS/Pasep a receber.

Desde o ano passado, a promoção de campanhas reduziu pela metade o contingente de brasileiros que ainda não sacaram o benefício. Para zerar o passivo e injetar R$ 15,9 bilhões na economia, o governo publicou, no fim de agosto, a Medida Provisória 797, que reduziu as restrições para o saque e criou um calendário para a retirada.

Retirada

Na Caixa Econômica, os cotistas do PIS poderão fazer a retirada de três maneiras. Os pagamentos de até R$ 1,5 mil serão feitos nos caixas eletrônicos, digitando a Senha Cidadão, sem a necessidade de cartão bancário. Quem não tiver a senha pode obtê-la no seguinte endereço, bastando clicar em “esqueci a senha” e preencher os dados. Os saques de até R$ 3 mil podem ser feitos nos caixas eletrônicos, mas o cliente precisará usar o Cartão Cidadão e digitar a Senha Cidadão. Nas lotéricas e nos correspondentes bancários, o cotista poderá retirar o dinheiro, levando o Cartão Cidadão, a Senha Cidadão e algum documento oficial de identificação com foto. Acima desse valor, o beneficiário deverá ir a alguma agência da Caixa levando documento oficial com foto.
Em relação aos saques do Pasep, os cotistas com saldo de até R$ 2,5 mil sem conta no Banco do Brasil poderão pedir transferência para qualquer conta em seu nome em outra instituição financeira na página do banco na internet ou nos terminais de autoatendimento. Não correntistas com saldo acima desse valor ou herdeiros de cotistas falecidos deverão ir às agências.

Os clientes com dúvidas podem consultar as páginas da Caixa ou do Banco do Brasil


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ok, suicídio...



Polícia abre inquérito para apurar morte de haitiano em cela da Papuda
  • 19/09/2017 14h24
  • Brasília





Wendel A. Sousa*
O corpo do haitiano Olgens Calypse Joseph, de 29 anos, encontrado nesta segunda-feira (18) em uma cela do Complexo Penitenciário da Papuda, permanece no Instituto Médico-Legal (IML) de Brasília. A Polícia Civil abriu processo de investigação para esclarecer o caso, e a linha de apurações aponta para homicídio. O inquérito ainda não tem data para ser concluído.

De acordo com a Subsecretaria de Sistema Penitenciário (Sesipe) do Distrito Federal, o corpo foi encontrado por agentes penitenciários que relataram sinais de asfixia mecânica. O Serviço de Atendimento Móvel (Samu) prestou atendimento e tentou reanimar Olgens, mas ele já tinha morrido.

“Estamos apurando o caso para, no menor prazo possível, esclarecer a causa da morte. Por enquanto, trabalhamos na linha de que o detento cometeu suicídio, pois estava sozinho na cela, mas ainda não temos o resultado final”, informou a 30ª Delegacia de São Sebastião, responsável pelo caso.

Atualmente, o sistema penitenciário do Distrito Federal, que 7.395 vagas para detentos, abriga cerca de 15 mil internos.

O caso
Olgens deu entrada na penitenciária da Papuda na última sexta-feira (15), após agredir o policial Josafá Jorge de Sousa, de 50 anos, com cinco golpes de faca no rosto. O haitiano foi encaminhado diretamente para o atendimento médico, “pois estava bastante agressivo”. Segundo a Sesipe, após ser medicado e passar algumas horas em observação, no fim da tarde, o interno ainda apresentava sinais de agitação vindo a agredir agentes penitenciário e até alguns membros da equipe médica.

A Sesipe informou que, em seguida, Olgens foi levado para uma cela do pavilhão de segurança, onde ficou isolado.  De acordo com a subsecretaria, o interno vinha recebendo tratamento médico desde sexta-feira (15). Mesmo com o tratamento, ele apresentava instabilidade emocional, acrescentou a Sesipe.

Até o fechamento da reportagem, não havia informações sobre a ida de parentes ao IML para buscar o corpo de Olgens.
*Estagiário sob supervisão de Nádia Franco
Edição: Nádia Franco

sábado, 12 de agosto de 2017

Cannabis à venda



Legalização da maconha no Uruguai gera oportunidades para brasileiros
Publicado em 12-08-2017 Modificado em 12-08-2017 em 15:08 


 O Uruguai regulamentou a produção e o consumo de maconha no país em 2013. Foto: José Raulino

A legalização da maconha no Uruguai tem mudado a vida de alguns brasileiros. Em geral, são pessoas que resolveram empreender no ramo ou que buscam tratamento médico dos derivados da planta. Brasileiros que vivem no país e turistas também sentem as mudanças na política de drogas do país vizinho.




Vanessa da Rocha, de Montevidéu, para a RFI Brasil
O governo uruguaio regulamentou o consumo, a produção e a distribuição da maconha em 2013, quando os uruguaios receberam permissão para cultivar a planta em casa ou em clubes canábicos. 

Quatro anos depois, em julho deste ano, a última fase do processo de liberação entrou em vigor com a venda do produto nas farmácias. Até então, 11.900 uruguaios se cadastraram para comprar os pacotes da erva produzida sob a tutela do governo com limite de consumo de 40 gramas por mês. O papel para preparar o cigarro e outros acessórios são vendidos em diversas lojas que se multiplicaram pelo país, depois da legalização.

Bem antes da aprovação, empreendedores brasileiros já estavam atentos ao potencial da maconha nos negócios. No caso do paulista, Alexandre Perroud, de 48 anos, os empreendimentos no ramo canábico começaram em 1994. 

O fundador da loja Ultra 420 observa que a legalização  no Uruguai gerou interesse em novos empreendedores do Brasil, “esse foi o legado do Uruguai, pessoas se sentindo seguras para entrar nesse mercado. As pessoas começaram a querer abrir headshops, growshops… e isso aí vem crescendo muito, muito, muito. Nunca ouve no mundo e no Brasil um momento tão propício para os negócios canábicos”.

 Loja que vende produtos canábicos em Montevidéu. Foto: Divulgação

Segundo o último relatório da ONU, 180 milhões de pessoas consumiram maconha no ano de 2015. Uma estimativa da empresa americana New Frontier, especializada em pesquisas no tema, indica que a maconha movimenta mais de 5 bilhões de dólares nos países onde o produto é legalizado.

O gaúcho Henrique Reichert, de 30 anos, se mudou para o Uruguai em 2014 e teve a vida modificada por causa do interesse do mercado no ramo. No ano passado, ele decidiu criar um canal no You Tube chamado "Eu, a maconha e uma Camera”.
 
A ideia não era comercial, era apenas recreativa, mas meses depois já tinha patrocínio de empresas, “decidi fazer o canal e falar sobre a lei de maconha do Uruguai principalmente para brasileiros. E gerou muita mídia, muita divulgação no Brasil. Fez com que marcas entrassem em contato, pessoas interessadas em investir e a  fazer coisas no Uruguai relacionadas a isso e desde dezembro eu me dedico exclusivamente ao projeto”. 

O gaúcho Henrique Reichert criou um canal no Youtube para falar da legalização da maconha no Uruguai. Foto: Henrique

Uso medicinal
Já os brasileiros que dependem da maconha para o uso medicinal estão fora dessa agitada rota comercial. Quando ocorreu a legalização no Uruguai, as famílias que precisam do medicamento no Brasil criaram expectativa de agilidade na liberação do Canabidiol, o derivado da planta com propriedades médicas, mas isso não ocorreu. 

Para o paulista João Paulo Costa, de 33 anos, que usa a maconha para o tratamento da epilepsia, não há dúvidas da eficiência do produto no tratamento. “Eu dormia num quarto blindado de som e de luz, dormia com fone no ouvido também porque ninguém podia me acordar que eu convulsionava. Hoje consumindo cannabis eu consigo ter uma vida normal”. 

Logo que a droga foi liberada no país vizinho, muito se debateu se o Brasil seguiria o exemplo. A questão naturalmente envolve uma discussão maior dada as caracteristicas de cada um dos dois países, mas de qualquer forma, tem sido observada com atenção no mundo todo.

Denise Tamer, de 31 anos, é gaúcha e mora em Montevidéo há um ano e meio. Ela avalia que a iniciativa uruguaia pode alimentar reflexões aos brasileiros. “A segurança aqui funciona”. Para ela, alguns pontos podem servir de inspiração, “o Uruguai é um país muito evoluído na questão do respeito das diferenças das pessoas, então eu acredito que o Brasil tem muito a aprender em relação a isso, respeitar o outro”, conclui.



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