terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Vai Belô!



BH realiza hoje desfile das escolas de samba, tradição de 80 anos

  • 28/02/2017 12h50
  • Belo Horizonte
Léo Rodrigues – Correspondente da Agência Brasil

 Campeã da última edição, Canto da Alvorada não vai desfilar este ano no carnaval de Belo HorizonteJulia Lanari/Belotur/Divulgação


Os blocos de rua, que vêm assumindo o protagonismo do carnaval de Belo Horizonte desde 2009, não são as únicas atrações da folia da cidade. Durante a maior parte da década de 2000, foram as escolas de samba que exerceram papel importante para garantir que a festa mais popular do país não passasse em branco na capital mineira. Carregando uma tradição de 80 anos, as agremiações continuam como peça importante na programação oficial do carnaval da cidade e desfilam hoje (28) à noite.

Quatro escolas – Estrela do Vale, Imperavi de Ouros, Acadêmicos de Venda Nova e Cidade Jardim – vão se apresentar na Avenida Afonso Pena, nesta ordem, a partir das 20h. As três melhores na opinião do júri serão anunciadas na sexta-feira (2) e receberão prêmios de R$50 mil, R$25 mil e R$12,5 mil. Os quesitos avaliados serão bateria, samba-enredo, enredo, conjunto harmônico, alegorias e adereços, fantasias, comissão de frente e desempenho do mestre-sala e da porta-bandeira.

Detentora de 14 títulos e vencedora da edição de 2016, a Canto da Alvorada não desfilará neste ano. Segundo nota publicada página da agremiação, a decisão se deu pela “falta de reconhecimento pelo poder público e pelas condições apresentadas”. Por outro lado, está garantida a presença da Escola de Samba Cidade Jardim, que soma 16 títulos e é a maior campeã. Criada em 1961, ela é a mais antiga agremiação de Belo Horizonte ainda em atividade.

A origem das escolas de samba de Belo Horizonte remete a 1937, quando foi fundada a Pedreira Unida. A agremiação reunia carnavalescos da favela Pedreira Prado Lopes e completaria 80 anos em 2017, mas já está extinta. “O Rio de Janeiro foi a vanguarda nesse processo no país, mas é interessante notar que a Pedreira Unida surgiu menos de dez anos após a criação das primeiras agremiações cariocas no final da década de 1920, como Deixa Falar, Mangueira e Portela”, conta o historiador Marcos Maia.

A novidade foi saudada pela imprensa mineira, que anunciou em manchetes a substituição dos clarins e dos instrumentos de sopro pelos instrumentos de percussão. Outras escolas também surgiriam e, em 1956, três delas se organizaram para se apresentarem guiadas por samba-enredo. Até então, o samba do desfile era improvisado pelas baterias. Segundo Marcos Maia, no início da década de 1980, as escolas de samba de Belo Horizonte haviam atingido um desenvolvimento que só perdiam para as do Rio de Janeiro em termos de luxo e quantidade de integrantes.

Blocos caricatos
Além das escolas de samba, Belo Horizonte tem outra categoria de desfile: os blocos caricatos. Nove deles desfilaram ontem (27) à noite, também na Avenida Afonso Pena. Hoje (28), mais um se apresentará, após as escolas de samba. O júri também elegerá os três melhores, que serão anunciados na sexta-feira (3) e receberão, respectivamente, prêmios de R$25 mil, R$12,5 mil e R$6,25 mil.

Peculiaridade de Belo Horizonte, a origem dos blocos caricatos ainda não é totalmente conhecida dos historiadores. Entre algumas hipóteses, eles podem ter influência dos carros alegóricos que partiam dos clubes e sociedades no início do século 20 ou do corso, que existia desde a fundação da cidade, em 1897. No corso, famílias desfilavam fantasiadas em seus carros particulares, numa época em que os veículos eram mais abertos e as pessoas conseguiam ficar de pé nas laterais.

Nos blocos caricatos, a bateria fica em cima de um caminhão e os instrumentos ficam presos no veículo. “É uma particularidade de Belo Horizonte, mas também existiam em São João del Rei. É possível que tenha nascido na capital e ido para outras cidades, mas também é possível que o caminho tenha sido inverso”, diz Marcos Maia.

Tradição
Embora a primeira escola de samba tenha surgido em 1937, as origens do carnaval em Belo Horizonte são bem mais antigas. “Há indícios de que, já no século 19, antes da fundação da cidade, as pessoas pulavam carnaval. Nesta época, aqui existia o arraial do Curral del Rey. Um livro escrito por um padre da época, chamado Francisco Martins, traz um capítulo sobre festas profanas e cita, de maneira negativa, o carnaval, onde rapazes estariam desencaminhando as moças. Ele inclusive menciona o termo batuques”, afirma o historiador.

É provável que o padre estivesse se referindo ao entrudo, modalidade de carnaval que veio com os portugueses no período colonial e que ainda se praticava no Brasil no século 19. Trata-se de uma brincadeira em que as pessoas jogavam umas nas outras farinha, baldes de água, limões-de-cheiro, areia e outros produtos.

Belo Horizonte foi fundada em dezembro de 1897 e já em 1898 há registros tanto do entrudo, como de festas com mascarados nas ruas. “Em 1899, a exemplo do Rio de Janeiro, a capital mineira já contava com o primeiro clube, criado por uma sociedade de empresários e profissionais liberais para a realização de festas. Neste ano, pouco mais de dez carros alegóricos desfilaram saindo deste clube. Também havia cavalos e clarins. Eles se intitulavam Diabos de Luneta. Nos anos seguintes novos clubes surgiriam, assim como posteriormente blocos de rua, ranchos carnavalescos e as escolas”, conta Marcos Maia.
Edição: Wellton Máximo

domingo, 27 de novembro de 2016

Que reforma?



Estados pedem mais tempo e dinheiro para implementar reforma do ensino médio
  • 27/11/2016 10h35
  • Brasília







Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil
Secretários estaduais de educação dizem que precisam de tempo e de recursos para executar as mudanças no ensino médio previstas na Medida Provisória 746/2016, em tramitação no Congresso Nacional. Eles concordam que a etapa precisa de mudanças e de se adequar aos interesses dos estudantes, mas pedem algumas alterações no texto da medida. O texto da MP está em análise em uma comissão mista. A intenção dos parlamentares é que o relatório do senador Pedro Chaves (PSC-MS) seja entregue nesta semana. A partir daí, o documento poderá ser discutido e votado. 

Uma das principais demandas dos gestores estaduais é a ampliação da duração da política de fomento, na qual o governo federal transfere recursos adicionais para os estados ampliarem a jornada escolar para 7 horas diárias. Atualmente, o ensino médio deve ter pelo menos 4 horas por dia. Pelo texto original, o apoio deve durar no máximo quatro anos.

"É inadmissível a gente pensar que [o fomento] possa encerrar com um ou dois anos, porque isso é um investimento de longo prazo, tem que diluir não só melhorias de estrutura física das escolas, mas estrutura de custeio", diz o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Fred Amâncio.

Amâncio é secretário de Educação de Pernambuco, estado que é considerado referência pelo Ministério da Educação (MEC) na implantação do tempo integral no ensino médio. Atualmente, segundo o secretário, 43% das escolas funcionam com uma jornada de 7 horas diárias, ou seja, os estudantes ficam mais tempo na escola e têm atividades no contraturno.

Amâncio atribui ao tempo integral o fato de o ensino médio do estado ter saído da 21ª posição em 2007 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade da educação por meio de avaliações em português e matemática, e ter alcançado o topo do ranking, em 2015, ao lado de São Paulo.

"Costumo dizer que o Brasil tem, no ensino médio, educação parcial. Em todos os países referência do mundo, os jovens ficam 7 horas na escola. No Brasil, a maioria dos estudantes fica 4 horas", diz. "É importante a gente dar um passo no processo de ampliação e isso envolve investimento. A gente tem levado essa discussão não apenas nas audiências públicas, mas em conversas com o MEC. O programa de fortalecimento é muito importante", completa.

A MP da Reforma do Ensino Médio estabelece que a jornada escolar deve ser "progressivamente ampliada", mas não dá um prazo para que todas as escolas concluam esse processo. O Programa de Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral oferece, para o ensino médio, R$ 2 mil a mais por aluno por ano para ajudar os estados.

Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), lei aprovada em 2014, o Brasil deve ter pelo menos 25% dos estudantes em tempo integral até 2024 - atualmente, são 18,7% levando em consideração toda a educação básica. No ensino médio, são apenas 6,4% das matrículas.

Currículo
Além da prorrogação da jornada, a MP estabelece que parte da formação do estudante do ensino médio seja voltada para os conteúdos da Base Nacional Comum Curricular, que ainda está em discussão no MEC, e parte destinada à formação em uma ênfase escolhida pelo próprio estudante. As ênfases serão em linguagens; matemática; ciências da natureza; ciências humanas; e formação técnica e profissional.

Segundo Amâncio, entre os pedidos dos gestores está a maior flexibilidade para que os estados elaborem os próprios currículos. Uma das possibilidades, ainda em discussão entre os estados, é que possam definir, de acordo com a realidade de cada local, outras ênfases de formação.

"Acreditamos que os cinco [itinerários] que estão propostos são importantes. Mas por que não ter a possibilidade de construir algo ainda diferenciado? Já que existe a visão de flexibilidade, pode-se pensar em algo que possa atender os estados. Por exemplo, em alguns estados, o aspecto cultural é muito forte, no Nordeste temos isso muito arraigado. Por que não ter algumas linhas de itinerário formativo cultural?", diz.

O secretário diz ainda que essa mudança estrutural não será algo simples e que os estados precisarão de tempo. "Acho que precisa deixar mais claro [na MP], que as redes estaduais vão ter mais autonomia para estabelecer o seu planejamento de implantação ao longo dos anos. Isso não é um processo, envolve investimento, envolve mudanças em toda uma cultura."

Segundo ele, havia um entendimento de que com a conclusão da Base Nacional Curricular, esse modelo já estaria disponível em 2018. "Nossa expectativa é que o texto venha prevendo um planejamento da implantação ao longo dos anos, porque não é da noite para o dia que se faz uma mudança desse porte."

Relator
Presente na reunião do Consed, que ocorreu até a última sexta-feira (25), em Brasília, o relator da MP na comissão mista que analisa a medida, senador Pedro Chaves (PSC-MS), disse que pretende estender a duração do fomento do MEC aos estados por dez anos. O anúncio foi bem visto pelos secretários.

Outra alteração que o senador deve fazer na MP é propor a prorrogação da jornada para 5 horas por dia já a partir de 2018 para todos os estados. Segundo Amâncio, um prazo mais factível seria que isso pudesse ser feito até 2022.

O senador deverá apresentar o relatório com as alterações na próxima quarta-feira (30). O relatório deverá ser discutido e votado na comissão mista que analisa a medida, onde poderá sofrer alterações. O documento deverá passar ainda pelos plenários da Câmara e do Senado. O prazo para que todo o processo seja concluído é março de 2017.

Edição: Lílian Beraldo

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Operação sem fim



Nova fase da Lava Jato tem como alvo dois operadores financeiros

  • 10/11/2016 07h29
  • 10/11/2016 09h56
  • Brasília




Da Agência Brasil
Na 36ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Dragão, policiais federais cumprem hoje (10) 18 mandados judiciais em cidades de São Paulo, do Paraná e Ceará. Entre os mandados, dois são de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão.

De acordo com a Polícia Federal, os alvos desta 36ª fase são dois operadores financeiros, Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran. Os procuradores da força-tarefa que investiga os crimes apurados no âmbito da Lava Jato afirmam ter evidências de que Assad e Duran movimentaram recursos originários de operações fraudulentas entre empreiteiras e empresas com sedes no Brasil, envolvendo funcionários da Petrobras e executivos.

Duran é suspeito de, sozinho, ter lavado dezenas de milhões de reais destinados ao esquema por vários envolvidos no pagamento de propinas, como a UTC Engenharia e a Mendes Júnior, que teriam repassado ao operador, respectivamente, R$ 9,1 milhões e R$ 25,5 milhões. A força-tarefa afirma que outras empresas contratadas pela administração pública e investigadas pela Lava Jato depositaram mais de R$ 18 milhões nas contas de empresas de pessoas jurídicas por ele controladas com o mesmo propósito.

O nome Dragão, dado à investigação policial, é uma referência aos registros na contabilidade de um dos investigados que chamava de “operação dragão” os negócios fechados com parte do grupo criminoso para disponibilizar recursos ilegais no Brasil a partir de pagamentos realizados no exterior.

São apuradas as práticas, dentre outros crimes, de corrupção, manutenção não declarada de valores no exterior e lavagem de dinheiro. Aproximadamente 90 policiais estão nas ruas esta manhã cumprindo os mandados judiciais.
(*) Texto atualizado às 9h55 para acréscimo de informações
Edição: Kleber Sampaio