quarta-feira, 30 de maio de 2018

Cotas do PIS


Resgate de cotas do fundo PIS/Pasep é liberado para todas as idades
Publicado em 30/05/2018 - 16:13
Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil Brasília


O pagamento das cotas dos fundos dos programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) podem injetar R$ 39,5 bilhões na economia brasileira. Até o dia 29 de junho deste ano, qualquer pessoa titular de conta do PIS/Pasep pode sacar os recursos que tiver. O prazo ainda pode ser estendido pelo governo até 28 de setembro.

A estimativa foi divulgada hoje (30) pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, com a aprovação pelo Senado, na última segunda-feira (28), do Projeto de Lei de Conversão 8/2018, decorrente da Medida Provisória (MP) 813/2017, que permitiu os saques. A lei entra em vigor após a sanção presidencial.

Do total, R$ 4,9 bilhões já foram resgatados pelos cotistas e R$ 34,6 bilhões ficarão disponíveis para serem sacados no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. O público total beneficiado pela medida é de 28,7 milhões de pessoas e, dessas, cerca de 3,4 milhões já fizeram o saque.

Desde a criação do PIS/Pasep, em 1971, o saque total só podia ser feito quando o trabalhador completasse 70 anos, se aposentasse ou tivesse doença grave ou invalidez. No segundo semestre do ano passado, o governo tinha enviado ao Congresso duas MPs reduzindo a idade para o saque, sem alterar as demais hipóteses de acesso a esses recursos. Com a aprovação da medida mais recente, cotistas de todas as idades ou seus herdeiros poderão sacar os recursos de contas inativas do PIS/Pasep. 

Quem tem direito
Tem direito ao saque as pessoas que trabalharam com carteira assinada antes da Constituição de 1988. Quem contribuiu após 4 de outubro de 1988 não tem direito ao saque. Isso ocorre porque a Constituição, promulgada naquele ano, passou a destinar as contribuições do PIS/Pasep das empresas para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que paga o seguro-desemprego e o abono salarial, e para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para saber se tem direito ao benefício, o trabalhador pode acessar os sites www.caixa.gov.br/cotaspis (a partir de 4 de junho) e www.bb.com.br/pasep.
Nos próximos dias, o Ministério do Planejamento detalhará os cronogramas de saques. Aqueles que tiverem conta corrente na Caixa Econômiva Federal ou no Banco do Brasil terão o depósito feito automaticamente. Os demais cotistas poderão fazer os saques diretamente nas agências bancárias.

Edição: Nádia Franco

domingo, 13 de maio de 2018

A América Latina pagando a conta


Força do dólar coloca em xeque as principais moedas da América Latina
Divisas do Brasil, México, Colômbia e Chile sofrem com a alta dos juros nos EUA, mas escapam ao cataclismo do peso argentino

Cidade do México 9 MAI 2018 - 21:56 BRT 





 Uma casa de câmbio nesta terça-feira em Buenos Aires. J. MABROMATA AFP



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O mundo emergente se acostumou nos últimos tempos a uma estranha sensação de calma. Os enormes volumes de liquidez acumulados após anos de políticas monetárias expansivas nas economias avançadas haviam entupido as Bolsas e os mercados de bônus, chegando também aos ativos dos países em desenvolvimento. Mas a volatilidade é inerente à sua própria natureza emergente e, cedo ou tarde, ela volta a bater à porta. Desta vez, a causa foi uma combinação de fatores que vão do fortalecimento do dólar norte-americano por causa da elevação das taxas de juros na maior economia mundial até o efeito por contágio das dificuldades argentinas, passando pelas expectativas de maior inflação e a crescente percepção de proximidade do fim de um ciclo econômico. Um coquetel que ameaça virar uma dor de cabeça na América Latina.

Maio trouxe consigo turbulências no mercado cambial. A primeira semana do mês foi a pior para as moedas emergentes em mais de um ano, e esta avança pelo mesmo roteiro. O nervosismo se instalou na terceira maior economia da América Latina, a Argentina, um país que leva o pânico financeiro em seu DNA e que já precisou pedir um resgate ao Fundo Monetário Internacional. E se estendeu ao resto dos grandes países da região. À sangria do peso argentino se somaram as fortes quedas do peso mexicano, colombiano e chileno. Também do real brasileiro, que perdeu 14% nos três últimos meses. Nesta quarta-feira, o dólar chegou a ser cotado a 3,611 reais, maior nível desde 31 de maio de 2016 (3,6123 reais). Na terça-feira, as divisas reduziram parcialmente as perdas dos dias anteriores. “Por estarem incluídas na mesma categoria de ativos [emergentes e latino-americanos], há um certo contágio do que está acontecendo na Argentina”, observa Jonathan Heath, ex-economista-chefe do HSBC para a América Latina e hoje analista independente.

Salvo uma inesperada mudança de rumo, os juros de referência nos Estados Unidos chegarão em junho a 2% pela primeira vez desde meados de 2008. Eram outros tempos: o Lehman Brothers ainda vivia, e a Grande Recessão só começava a se formar. E embora o aumento no preço do dinheiro tenha sido telegrafado desde o primeiro dia da crise, as consequências se fazem sentir nos mercados: o endurecimento da política monetária e a expectativa de maior inflação nos próximos trimestres levou o ágio sobre os bônus norte-americanos com vencimento em 10 anos para quase 3%, seu nível mais alto desde 2014, introduzindo uma variável nova na balança de muitos investidores. “Vale mais a pena depositar o dinheiro em ativos de risco quando o papel norte-americano – teoricamente isento de incerteza sobre seu futuro pagamento – começa a oferecer rentabilidades atrativas?”, começam a se perguntar os analistas nos quartéis-generais das grandes firmas de investimento. E o mero questionamento agita a América Latina e os demais emergentes.

“A combinação de juros mais altos nos EUA e de perspectivas de inflação mais elevadas é muito negativa para as moedas latino-americanas”, afirma Armando Armenta, estrategista do banco de investimentos suíço UBS para mercados emergentes. “As pessoas começam a ver fundamentos menos sólidos, e alguns entram em pânico, golpeando os países com fundamentos mais frágeis, como a Argentina”, acrescenta um segundo analista, de uma grande firma de investimentos, que prefere não revelar seu nome. “É um ano mais volátil em geral: vimos isso na Bolsa e no mercado de renda fixa, e começamos a ver no mercado cambial.” Paradoxalmente, o baque das moedas emergentes chega num momento doce para o petróleo – uma variável que costuma estar positivamente correlacionada com a evolução das moedas da região, onde quase todos os países são produtores –, que atinge sua maior cotação em três anos e meio, impulsionado pela instabilidade geopolítica.

Em pouco mais de 20 dias, os grandes investidores retiraram 5,5 bilhões de dólares dos mercados emergentes de dívida, segundo dados do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) citados pela Reuters. No caso da América Latina, essa cifra chega a 1,2 bilhão de dólares somente na última semana, quando se aceleraram as saídas, segundo a Bloomberg. Esse movimento tem, inevitavelmente, um efeito direto sobre a cotação das respectivas moedas regionais: vender dívida de um país significa, também, se desfazer de moeda nacional. Tudo sem que, ainda, a maior área econômica do mundo depois dos EUA, a zona do euro, tenha se movimentado no sentido de elevar os juros.

Nesse ambiente, a Argentina é, de longe, o país em pior situação. Suas reservas internacionais são inferiores às dos demais de grandes países latino-americanos, e isso se soma à grande proporção de dívida pública emitida em dólares, já que Buenos Aires recorreu em maior medida a emissões em moeda norte-americana para cobrir suas necessidades de financiamento. Mas não é o único caso. O México é a economia latino-americana mais exposta ao mercado norte-americano, e a fragilidade do seu peso frente ao dólar – que já apagou todos os lucros colhidos desde 1º. de janeiro – tem efeitos relevantes para sua economia. Negativos, como o encarecimento dos produtos importados, com o consequente repique inflacionário e a perda de valor internacional das economias de seus cidadãos. Mas também positivos, como a maior competitividade, um fator nada desprezível numa economia tão aberta como a mexicana: os produtos industriais desse país estão hoje 8% mais baratos do que há três semanas, graças a um único fator, alheio à cadeia produtiva: a depreciação do peso.

“Em linhas gerais, os países da região estão mais bem preparados que no passado para confrontar uma situação assim”, afirma Martín Castellano, economista-chefe do IIF para a América Latina. “Entretanto, a posição fiscal é pior, com dívidas mais altas e maiores déficits em todos os países da região.” O maior risco passa, na sua opinião, por um giro radical da política macroeconômica, depois das eleições que acontecerão neste ano em três países cruciais da região: Brasil, Colômbia e, sobretudo, o México. Neste último caso, embora o candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador esteja há meses tentando tranquilizar os mercados, os financistas não chegam a se convencer totalmente. Não, ao menos, até verem com seus próprios olhos que a retórica dele se cristalize em uma política fiscal prudente e na total independência do banco central.

“No México há fatores próprios que levaram à depreciação do peso: a incerteza em torno da renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLC) e a proximidade das eleições”, acrescenta Alberto Ramos, do Goldman Sachs. “A disputa entre o setor privado e o candidato que lidera as pesquisas [López Obrador] criou um ambiente de volatilidade que não foi contido, com a consequente fuga de capitais e a perda de força do peso”, conclui José Luis de la Cruz, diretor do Instituto para o Desenvolvimento Industrial e o Crescimento Econômico do México.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Banco Central reduz juros básicos da economia para 6,5% ao ano

Banco Central reduz juros básicos da economia para 6,5% ao ano

Pela 12ª vez seguida, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu hoje (21) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 6,75% ao ano para 6,5% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Com a redução de hoje, a Selic continua no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,75% ao ano em fevereiro, o nível mais baixo até então.

Em comunicado, o Copom informou que a inflação evoluiu de forma melhor que o esperado nesse início de ano. De acordo com o BC, o comportamento da inflação permanece favorável, com diversos preços mais sensíveis aos juros e ao ciclo econômico em níveis baixos. O órgão sinalizou que deve continuar a reduzir os juros na próxima reunião, em 15 e 16 de maio, mas que deve interromper o ciclo de quedas depois disso.



“Para a próxima reunião, o comitê vê, neste momento, como apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional. O comitê julga que este estímulo adicional mitiga o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas”, destacou o texto. “Para reuniões além da próxima, salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação, o comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”, acrescentou o comunicado.

Apesar do corte de hoje, o Banco Central está afrouxando menos a política monetária. De abril a setembro, o Copom havia reduzido a Selic em 1 ponto percentual. O ritmo de corte caiu para 0,75 ponto em outubro, 0,5 ponto em dezembro e 0,25 ponto nas reuniões de fevereiro e de hoje.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula 2,84% nos 12 meses terminados em fevereiro, abaixo do piso da meta de inflação, que é de 3%. O IPCA de março só será divulgado no início de abril.

Até 2016, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017 e 2018, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.

Inflação
No Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2018 em 4,2%. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 3,63%.

Do fim de 2016 ao fim de 2017, a inflação começou a diminuir por causa da recessão econômica, da queda do dólar e da supersafra de alimentos. Depois de uma pequena subida no fim do ano passado, por causa dos reajustes dos combustíveis, os índices voltaram a cair no início deste ano. O recuo foi motivado por novas quedas nos preços dos alimentos e dos serviços, setor ainda afetado pela demora na recuperação da economia.

Crédito mais barato
A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de 2,83% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2018. A estimativa está superior à do último Relatório de Inflação, divulgado em dezembro, no qual o BC projetava expansão da economia de 2,6% este ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

Texto ampliado às 18h17 para acréscimo das informações do comunicado do Copom
Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil 
Edição: Wellton Máximo


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Empresas inadimplentes cresceram 5,35% em 2017, diz SPC Brasil


Empresas inadimplentes cresceram 5,35% em 2017, diz SPC Brasil


As empresas inadimplentes cresceram 5,35% em 2017,  com alta de 0,34% em relação a 2016, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). As dívidas em atraso tiveram alta de 3,64% na comparação anual.


Por regiões, no Sudeste, o número de empresas negativadas na comparação anual avançou mais do que em outras regiões: a alta foi de 7,37%. Em seguida, aparecem o Sul (3,18%), o Centro Oeste (2,99%), o Nordeste (2,61%) e a região Norte (2,23%).


Em termos de participação, o Sudeste concentra a maior parte do número de empresas negativadas, com 46,14% do total. O Nordeste, por sua vez, concentra 20,77%, enquanto o Sul aparece com uma fatia de 17,07%.


Por setores, serviço lidera com maior número de empresas negativadas, com variação de 8,22%. Em seguida, aparecem comércio (3,42%), indústria (2,93%) e agricultura (-0,99%). Quando se analisa os setores credores (para os quais as empresas devem), o maior avanço da inadimplência foi observado pela indústria (4,67%), seguida de serviço (4,12%) e comércio (3,24%).


“Ainda há efeitos da crise, mas também há sinais de retomada da economia. Para este ano, espera-se que, à medida que os negócios se recuperem, o fenômeno da inadimplência desacelere”, avalia o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro.

Edição: Valéria Aguiar