domingo, 17 de julho de 2016

São Luís, meu sonho!





Silvia Oliveira, Matraqueando, in 12 set 2012




Não busque em São Luís do Maranhão o que você não pode encontrar em… São Luís do Maranhão. A cidade Patrimônio da Humanidade não tem a cara de Ouro Preto nem o charme de Tiradentes. Não tem as praias de Maceió nem a gastronomia de Salvador.



Entenda, o que São Luís tem é importância e reconhecimento. Já se a cidade sabe dar valor a isso… é outro conto. O Centro Histórico reúne mais de 3 mil imóveis tombados pelo patrimônio histórico estadual. Boa parte entrou na lista da UNESCO pelo conjunto arquitetônico português.



Se Caetano tivesse se inspirado numa cidade para compor Dom de Iludir, a escolhida teria sido a capital do Maranhão, porque só ela sabe a dor e a delícia de ser o que é. Sobrados em ruínas ou becos suspeitos — qualquer canto rende uma imagem, força uma lembrança ou deixa uma cicatriz.



Mesmo com alguma revitalização, o centro histórico sofre com o descaso, a sujeira e a pouca preservação. Mas eu não vim atrás de uma réplica de uma cidade histórica mineira.





Eu buscava a São Luís do Bumba Meu Boi, do Tambor de Crioula, dos azulejos descascados, da arte do Nhozinho, do guaraná cor de rosa, dos cofos de palha, do arroz de cuxá e da torta de camarão. E ela está lá, exatamente como eu gostaria de encontrar.





Claro que no meu primeiro dia na cidade eu desconjurei até a 15ª geração da Família Sarney. Fica aquele sentimento de indignação. Por que não há uma política pública eficiente para dar pelo menos uma mão de tinta nesse amontoado de casarões e solares? Depois, não que venha a conformidade, mas você se acalma com um bem maior, o próprio maranhense.



Então, faça assim, quando vier para cá não busque o que você não pode encontrar. Tente achar a capital do Maranhão para se surpreender. Aproveite e traga seu bom humor de presente.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Estados endividados



STF decide adaptar liminares sobre dívidas dos estados ao acordo com União
  • 01/07/2016 13h09
  • Brasília







Michelle Cannes - Repórter da Agência Brasil
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram, por maioria, a adaptação das liminares concedidas aos estados sobre o cálculo da dívida com a União ao acordo firmado entre o governo e os estados. 

As liminares concedida aos estados permitiam o pagamento das dívidas com prestações menores, pois autorizava a correção dos débitos por juros simples (que incide somente no capital inicial) e não por juros compostos (juros sobre juros), forma que é adotada atualmente pela União. 

No último dia 20, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e representantes de 25 estados chegaram a um acordo para refinanciar a dívida. Pelo acordo, os estados e o Distrito Federal terão carência de seis meses nas parcelas até dezembro. A partir de janeiro, as prestações terão descontos, que serão progressivamente reduzidos até julho de 2018. 

Saiba Mais
No julgamento de hoje (1º), os ministros analisaram uma ação de Santa Catarina, o primeiro estado a conseguir uma liminar. Outros estados também recorreram à Corte, como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. 

A maioria dos ministros seguiu o voto do relator da ação, ministro Edson Fachin, que disse ontem (30) ter recebido da União informações sobre o acordo firmado com os estados. A União pediu que as liminares fossem revistas para que fossem aplicados os termos do acordo debatido.

“Proponho ao colegiado que seja deferido [aceito] o pedido formulado pela União nesses termos a fim de que sejam aplicados cautelarmente aos autos e às liminares os exatos termos dos ajustes negociados com os estados, a partir do dia primeiro de julho de 2016, conforme a ata da reunião realizada no dia 20 de junho passado”, disse Fachin.

Julgamento
Em abril, o Supremo colocou o tema na pauta, mas decidiu suspender por 60 dias o julgamento das ações sobre o cálculo das dívidas dos estados com a União. A decisão da Corte atendeu a uma proposta do ministro Luís Roberto Barroso. Segundo o ministro, a questão não deveria ser judicializada e, durante o período de suspensão, deveria ser decidida pelas partes e o Congresso Nacional.

Edição: Carolina Pimentel

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Estado assassino, covarde. Crianças em guerra?



PMs que mataram menino de 10 anos descumpriram recomendação de manter distância
  • 15/06/2016 16h30
  • São Paulo




Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil
O áudio do diálogo entre os policiais que participaram da ação que terminou com a morte de um menino de dez anos, no dia 2 de maio, em São Paulo, mostra que os agentes não cumpriram orientação do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de evitar confronto, de acordo com o ouvidor das polícias, Júlio César Fernandes.

Segundo o ouvidor, na conversa com o Copom, os PMs que estavam em ação disseram “jogou pra cima”, um jargão que significa reação a tiros. Em seguida, receberam a recomendação para manter distância e evitar confronto, o que foi descumprido.

“O rapaz da Rocam [Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas] não só não manteve distância como foi para cima do garoto, não acatou a orientação do Copom. Quem vai analisar isso com detalhes é a autoridade policial, para que haja uma reconstituição perfeita disso”, disse hoje (15) o ouvidor durante audiência pública na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo para discutir a violência policial.

O caso
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga a veracidade da versão policial, segundo a qual o menino foi baleado em confronto após ter feito três disparos contra os policiais com uma arma calibre 38. O menino e um amigo de 11 anos haviam furtado um carro na garagem de um condomínio. Os policiais perceberam a ação e saíram em perseguição ao veículo, um Daihatsu Terios.

O ouvidor das polícias questionou o exame residuográfico feito nas mãos do menino morto, que comprovou resíduos de pólvora. Fernandes disse que a situação pode ter sido forjada, como ocorreu em outros casos semelhantes.

“A autoridade precisa escutar o garoto sobrevivente novamente, para que seja feita uma reconstituição fiel ao caso. De qualquer forma, o exame residuográfico não é definitivo. Os policiais demoraram cinco horas para que o DHPP começasse o registro da ocorrência. Se eles [PMs] fizeram um vídeo com o sobrevivente falando, eles tiveram tempo para pensar em tudo”, disse.

Saiba Mais
O ouvidor defendeu a instalação de câmeras de vídeo em todas as viaturas policias e motocicletas da Rocam. “Assim ficaria mais fácil de elucidar esses homicídios que tem ocorrido aqui em São Paulo.”

Isolamento na Corregedoria
Os seis policiais envolvidos no caso estão mantidos em isolamento na sede da Corregedoria da Polícia Militar, segundo o coordenador de Direitos Humanos da OAB, Martim de Almeida Sampaio.

“Estou acompanhando o caso. Eles estão alocados na Corregedoria, numa sala, isolados, sem celular, assistindo televisão. Estão à disposição para eventuais depoimentos, o que é diferente de trabalhar. Se isso é regular, do ponto de vista da corporação, eu não sei.”

“A gente fica surpreso que eles estejam logo na Corregedoria, mas não acredito que atrapalhe nas investigações”, disse o ouvidor.

A Secretaria da Segurança confirmou que os PMs continuam afastados das ruas, mas não estão detidos, e que agora cumprem jornada dentro da Corregedoria.

A Corregedoria apura a conduta dos policiais, já que, segundo depoimento da mãe do menino, o garoto não atirou nos militares. O menino sobrevivente também disse, em seu último depoimento, que não houve confronto com a polícia. Além disso, não foram encontradas marcas dos tiros que teriam sido efetuados pelo garoto. Segundo a PM, o menino fez os disparos com o vidro abaixado e fechou a janela antes de ser baleado.

“Tudo indica que as coisas se passaram não exatamente como relatado pela primeira vez”, disse Sampaio, da OAB. “Se é verdade o que um menino de dez anos trocou tiro com a polícia, isso é uma tragédia. Que país é esse em que um menino de dez anos vai pra escola para combinar assalto, rouba e troca tiro com a polícia. Se é mentira dos policiais e eles executaram uma criança, também é uma tragédia.”

O ex-ouvidor das polícias e presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, Antônio Funari Filho, disse que a ação dos policiais foi equivocada. “O policial da moto chegou sem entender muito o que estava acontecendo e já chegou atirando. Pelo Método Giraldi [técnicas e normas de atuação da PM paulista], o policial não é um militar, não está numa guerra, para morrer e matar. Ele está lá para não morrer e para evitar que os outros morram. Tem que se evitar ao máximo o uso da arma”, disse.

“A polícia existe para defender o direito humano à segurança, não para proteger o patrimônio de alguns. Infelizmente, o que a gente vê é que a policial nem sempre age assim. A letalidade da polícia é muito grande”, disse Funari Filho.
Edição: Luana Lourenço