segunda-feira, 11 de maio de 2020

Investimento em obra pública é aposta para pós-crise do coronavírus

Investimento em obra pública é aposta para pós-crise do coronavírus

Ministério da Infraestrutura pretende quer garantir R$ 30 bilhões para aplicar em 70 projetos de infraestrutura, como estradas e ferrovias

Ferrovia da Vale em Carajás, no Pará
Ferrovia no Pará: (Germano Lüders/EXAME) Adicionar legenda

O Ministério da Infraestrutura elabora uma lista de obras prioritárias para serem tocadas com recursos da União como resposta mais rápida e objetiva para gerar emprego e dar um tranco no motor parado da economia, quando a crise na saúde gerada pelo novo coronavírus arrefecer.

O entendimento é que o plano de concessões para a iniciativa privada segue inalterado, mas que não pode ser a única solução para um impulso de curto prazo.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, tenta garantir que os R$ 6 bilhões previstos no orçamento da pasta para 2020 não sofram cortes e que um pacote de 54 obras públicas de infraestrutura seja tocado sem paralisação. É pouco dinheiro. Para se ter uma ideia, em tempos normais, R$ 6 bilhões costuma ser o valor anual que o Dnit executa apenas para fazer a manutenção das estradas federais que administra.

Por isso, a aposta de Tarcísio está hoje em uma negociação com o Ministério da Economia, para colocar para funcionar o que o governo tem chamado internamente de “um grande pacto pela infraestrutura”.

Na prática o que se pretende é garantir mais R$ 30 bilhões para aplicar em outros 70 projetos de infraestrutura com a contratação direta de empreiteiras e empresas de médio porte a partir de órgãos como Dnit, Infraero e a Valec, para execução de obras de pavimentação de estradas, reforma de terminais de portos, aeroportos e construção de trechos de ferrovias.

Nas contas do ministro da Infraestrutura, todas essas obras públicas, somadas às concessões que estão previstas, teriam capacidade de gerar, entre o segundo semestre deste ano e 2021, cerca de 1 milhão de novos empregos.

O tema tem sido tratado diretamente com o ministro da Economia, Paulo Guedes. O arranjo financeiro ainda não tem nenhuma garantia que sairá, mas há consenso de que as obras públicas, ao lado de outras medidas de crédito barato e de novas concessões de projetos para a iniciativa privada, seriam a vacina de efeito mais rápido para lidar com o quadro catastrófico da economia e do emprego.

  •  

A lista de obras previstas inclui aquelas que já têm projetos de engenharia concluídos e com licenciamento ambiental em fase adiantada. Nesta relação estão, por exemplo, trechos da Ferrovia de Integração Oeste – Leste (Fiol), na Bahia, da pavimentação da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), e a duplicação da BR-381, em Belo Horizonte (MG).

O consultor Cláudio Frischtak, sócio gestor da Inter.B, consultoria internacional de negócios, lembra que o País tem histórico de realizar obras públicas, mas poderá que há um problema crônico de governança desses projetos. “Antes da lei de concessões de 1995, tudo basicamente era realizado pelo governo ou empresas de capital misto.

Temos o histórico de obras públicas, mas houve uma deterioração gradativa na governança delas”, comentou. “Os órgãos públicos podem ter melhorado, mas é preciso reconhecer que são empresas com histórico muito ruim de contratação e de execução de obras públicas.”

Apesar do desenho mais emergencial e menos estruturante, o “pacto pela infraestrutura” desenhado no governo remonta a iniciativas tomadas por países nos anos de pós-guerra, como o chamado New Deal dos americanos. Em 1933, para enfrentar a “grande depressão” com a quebra da bolsa de 1929, o governo do presidente Franklin Roosevelt passou quatro anos injetando bilhões de dólares em obras de infraestrutura.

 

sábado, 7 de março de 2020

Mulheres pioneiras


Montevidéu inaugura praça em homenagem às mulheres pioneiras
Diretora de grupo de carnaval uruguaio será uma das homenageadas

·          

·          

·          

Publicado em 07/03/2020 - 15:49 Por Marieta Cazarré – Repórter da Agência Brasil - Montevidéu
Iniciando as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, a prefeitura de Montevidéu inaugura hoje (7), às 17h, a praça Las Pioneras, uma homenagem àquelas que lutaram para que todas pudessem exercer seus direitos civis e políticos plenamente.
Uma das homenageadas é Juanita "Pochola" Silva, 83 anos, cabeleireira aposentada. Em 1962, ela foi a primeira diretora de uma "murga" no Uruguai. As murgas são grupos tradicionais do carnaval, que se fantasiam com roupas coloridas e maquiagens extravagantes e cantam músicas de temáticas políticas e sociais, normalmente satíricas. Até o dia de hoje, as murgas são compostas majoritariamente por homens.
Em conversa com a Agência Brasil, Juanita "Pochola" Silva, radicada em Buenos Aires, contou que está muito feliz pelo fato de que, ainda hoje, se lembrem dela.
"O meu irmão, desde que tinha 12 anos, participava das murgas. E eu sempre amei as murgas. Um dia eu estava com umas amigas, vizinhas, primas, escutando a murga do meu irmão e eu disse: tchê, e se fizermos uma murga? Então minha mãe me disse: vá à costureira fazer a roupa! E assim começou, eu me inscrevi, fizemos as letras com o meu irmão e eu saí, contentíssima", contou Pochola.
Nas murgas, diferentemente do carnaval tradicional brasileiro, os grupos se apresentam nos tablados, que são teatros ao ar livre, onde o público fica sentado, assistindo as apresentações musicais. Para participar de uma murga é necessário fazer a inscrição na prefeitura da cidade.

Juanita "Pochola" Silva apresenta sua murga em Montevidéu na década de 60 - Arquivo pessoal/Juanita
Expressão centenária
Juan Castel, gerente do Centro de Documentação e Investigação do Museu do Carnaval do Uruguai, explicou à Agência Brasil as características principais da murga.
"É um carnaval de cenário, a categoria mais popular e a mais representativa do Uruguai. Tem uma formação de 17 pessoas que cantam em coro, acompanhadas de uma banda de murga composta por bumbo, pratos e bateria. O coro apresenta uma cena que tem no máximo 45 minutos, com grande presença cênica, um jeito específico de cantar, com um timbre muito particular, muito forte. E o que a murga gera através de seu canto e de seus versos é criticar, fazer rir e emocionar, por isso mesmo está muito dentro do coração das pessoas e é tão representativa. A murga canta o que o povo quer escutar e critica os personagens do momento, os políticos. E tem sempre um toque nostálgico. Essa formação da murga tem uns 100, 110 anos de vida, e é uma das formas culturais mais forte do Uruguai", explicou Juan.
Em relação ao vanguardismo de Pochola, Juan Castel explica que a murga historicamente foi um reduto masculino.

Juanita "Pochola" Silva é uma das homenageadas pela praça Las Pioneras - Arquivo pessoal/Juanita

"Pela forma de cantar, pela conformação histórica da murga, por como era a sociedade, sobretudo na primeira metade do século 1920, sempre foi um lugar de homens. Recentemente, nos últimos 10 anos, começou a ser mais habitual a aparição de mulheres cantando murgas. É uma mudança que está acontecendo. Historicamente, há uns poucos casos isolados de mulheres, mas o valor que tem Pochola Silva e sua murga Rumbo al Infierno (Rumo ao Inferno, em tradução livre), é que foi a primeira murga de mulheres que competiu no carnaval de Montevidéu, por isso tem essa importância. Numa época como na década de 60, quando era muito difícil a participação da mulher nesse tipo de manifestações, que aparecesse uma murga de mulheres era muito raro, realmente".
"Pochola" Silva foi a diretora da murga Rumbo al Infierno, aos 26 anos de idade. Ela e suas companheiras saíram às ruas nos carnavais de 1962 a 1964.
Pochola conta que, apesar de ser algo novo àquela época, elas não sentiam que houvesse uma grande resistência da sociedade. "Preconceitos existiam, como em todos os lados, mas nunca nos ofenderam. Sempre desfrutamos muito. E havia muitos tablados para a gente se apresentar! Você pode imaginar a quantidade, pois era uma novidade naquela época! Aliás, segue sendo uma novidade até hoje".
Praça Las Pioneras
Localizada na Avenida Agraciada, a nova praça surge a partir de um edital público feito em 2018 pela prefeitura da capital uruguaia. O projeto aprovado tinha como ideia promover, a partir da desconstrução de um edifício existente, um novo local de convivência, que reconhecesse e prestasse homenagens às mulheres pioneiras do país. O novo espaço se distingue das configurações tradicionais de uma praça, na tentativa de trazer novas maneiras de convívio social.
A partir das 17h, a praça receberá uma feira gastronômica. Haverá também oficina de circo para as crianças, além de atividades de artes plásticas, escrita e compostagem, entre outras.
Às 20h, será assinado um convênio entre a prefeitura de Montevidéu e a Assembleia de Coletivos Feministas. Em seguida, haverá um vídeo mapping, que consiste na projeção de vídeo em superfícies irregulares, como estruturas de grandes dimensões e fachadas de edifícios, realizado pela artista visual Cabe Trust, em homenagem às mulheres que inspiraram a luta feminista.
Depois, haverá shows com a participação da artista montevideana de hip hop, Eli Almic, além da DJ Fuega. Haverá também um espetáculo da murga Falta y Resto, uma das mais tradicionais do país, que prestará uma homenagem à Juanita "Pochola" Silva.
Edição: Fábio Massalli


terça-feira, 5 de novembro de 2019

A Vale sabia


Vale sabia sobre limite de barragens de Brumadinho 2 semanas antes do desastre





Executivos da Vale receberam e-mail anônimo com informações sobre as barragens de Brumadinho. Empresa confirmou recebimento do e-mail, mas disse que era "genérico".
A mineradora Vale recebeu um e-mail anônimo intitulado "A Verdade" que informava que, duas semanas antes do desastre de Brumadinho, as barragens da empresa estavam no limite em uma de suas estruturas. A informação foi publicada em uma reportagem do “The Wall Street Journal” (WSJ).

De acordo com a reportagem, o presidente da empresa na época, Fábio Schvartsman, teria buscado identificar o autor do documento, tratando-o como "um câncer".

Autoridades, que não foram especificadas pela reportagem do WSJ, estariam investigando se a resposta de Schvartsman pode indicar se “uma cultura de retaliação na empresa contribuiu para o colapso de 25 de janeiro em Brumadinho, que matou 270 pessoas, o desastre de mineração mais mortal do mundo em mais de 50 anos”.

​A Vale, por sua vez, citada pelo G1, confirmou a existência do e-mail, mas alegou que o documento era genérico e sem provas.

De acordo com a defesa do ex-presidente da Vale, ele "sempre deu encaminhamento a denúncias recebidas com apontamentos concretos sobre falhas ou desvios, e que o e-mail 'A Verdade' não tratava de fatos específicos ou apontava problemas concretos em barragens".

A tragédia da Vale em Brumadinho ocorreu no dia 25 de janeiro de 2019, resultando em um dos maiores desastres envolvendo rejeitos de mineração no país. A barragem de rejeitos era controlada pela Vale S.A. O município de Brumadinho está localizado a 65 km de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

MEC quer divulgar boas práticas de professores


MEC quer divulgar boas práticas de professores
Publicado em 09/07/2019 - 17:59
Por Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Brasília






professor, sala de aula, ensino médio

O Ministério da Educação (MEC) quer eleger professores com destaque para que possam compartilhar as boas práticas com os demais docentes o país. A ação faz parte de estratégias que estão sendo pensadas na pasta para tornar a carreira de professor mais atraente no Brasil e dar melhores condições para os docentes. 
De acordo com a diretora de Capacitação Técnica Pedagógica e de Gestão de Profissionais da Educação da Secretaria de Educação Básica do MEC, Mariana Muçouçah, o projeto da política pública deverá ser apresentado ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, até o fim deste ano. 
Segundo Mariana, Para selecionar os melhores professores das escolas públicas, o MEC deve usar indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Serão considerados referência os docentes que, entre outros fatores, conseguirem melhorar o desempenho dos estudantes. “Esses professores vão ser identificados com indicadores que temos para educação. Vamos monitorar para ver se esse critério de seleção está sendo suficiente ou não”, disse Mariana, que participou hoje (9) de debate sobre a formação dos professores no Brasil, na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

Os debatedores destacaram a formação dos docentes como fator central para que melhorar a qualidade da educação no Brasil. Atualmente, lecionar em escolas públicas é pouco atraente, e apenas 2,4% dos estudantes querem seguir essa carreira, revela a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Além disso, os professores ganham menos que os demais profissionais com o mesmo nível de formação. De acordo com relatório divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os professores de escolas públicas ganham, em média, 74,8% do que ganham profissionais assalariados de outras áreas.



Atratividade

De acordo com Mariana, o MEC pretende mudar esse cenário e, para isso, está realizando uma série de estudos. O cronograma para implementação de políticas públicas se estende até 2023. “Estamos finalizando o planejamento estratégico da Secretaria de Educação Básica. Estamos finalizando esta semana. Uma das ações pretendidas é apresentar o documento aqui na comissão, se não está semana, até o final de julho.”
Outra ação prevista é a oferta de bolsas de estudos para futuros professores. “Vamos pensar em novas bolsas. Vamos, junto com a Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] e com agentes da educação, pensar em novas propostas”. A intenção é que uma proposta seja apresentada até o começo do ano que vem. A pasta pretende seguir com as bolsas atuais ofertadas pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) e pelo Programa de Residência Pedagógica.
Base de Formação Docente
O MEC pretende concluir também até novembro deste ano a revisão do texto da Base Nacional Comum da Formação de Professores da Educação Básica, elaborado na gestão do então presidente Michel Temer, encaminhado em dezembro do ano passado para o Conselho Nacional de Educação (CNE).
Em fevereiro deste ano, o MEC pediu o texto de volta para “ter ciência e participar ativamente do processo de formulação da Base", conforme informou na época. 
O documento orientará a formação de professores em licenciaturas e cursos de pedagogia em todas as faculdades, universidades e instituições públicas e particulares de ensino do país. O texto apresentado no ano passado estabelece, entre outras questões, que a formação do professor seja mais voltada para a prática e orientada por competências.

De acordo com Mariana, a primeira reunião na secretaria foi realizada hoje, e ainda não há conclusões sobre o que deve ser alterado na proposta.
Participação
O deputado Professor Israel Batista (PV-DF) criticou a demora do MEC para apresentar políticas efetivas e disse que apresentará um relatório sobre formação de professores, além de propor soluções. “No segundo semestre, a Comissão de Educação e a Frente Parlamentar Mista da Educação devem assumir o protagonismo. Vamos apresentar um conjunto de propostas de solução”, adiantou o deputtado.
Professores e especialistas presentes à audiência defenderam mais participação da sociedade civil na elaboração dessas políticas, que, segundo Mariana, envolvem representantes do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), ou seja, governos estaduais e municipais. 
Participaram do debate representantes da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais de Educação (Anfope), da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped) e da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais de Educação (Anfope), entre outras instituições.

Edição: Nádia Franco